domingo, 6 de março de 2011

“Orgulhoso da sua história”, PCP comemora 90 anos em Portugal!!!!!

6 de Março de 2011 - 12h36


Sob o lema "Liberdade, Democracia, Socialismo — Um Projeto de Futuro", o Partido Comunista Português (PCP) completa 90 anos neste domingo (6). Haverá festas e celebrações em todo o país, com destaque para as cinco "grandes iniciativas" — ou almoços-comícios — em Lisboa, Seixal, Porto, Funchal e Alentejo.

Fundado em 6 de março de 1921, a legenda viveu, conforme seu Comitê Central, “90 anos de luta heroica a serviço da classe operária e dos trabalhadores, do povo e do país”. O PCP se afirmou como “um partido que, orgulhoso da sua história, aprendendo com a sua própria experiência, firme e determinado no presente, assume com energia, audácia e confiança as exigências do futuro”.

Sobre esse futuro, diz a nota do Comitê Central, “o PCP assume, neste início da segunda década do século 21, o seu compromisso de sempre com os trabalhadores, a juventude e o povo, a luta pela liberdade, a democracia, o socialismo e o comunismo”. Em entrevista à Agência Lusa, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, analisou que o partido “tem uma influência social muito superior à sua influência eleitoral” — um “capital que poucos partidos comunistas têm”.

Segundo Jerónimo, “muitos novos militantes” têm aderido ao PCP, em particular jovens – 30% dos novos militantes têm menos de 30 anos. “É quase um caso singular na Europa. No plano europeu, é um partido com muita força e com muita expressão em termos de filiação”.

Jerónimo relata que os comunistas são “sempre bem recebidos em qualquer ponto” do país. “O secretário-geral do PCP, se confundisse simpatia com apoio eleitoral, então sim, ficaria desiludido”, disse, salientando a forma como diz ser “respeitado” nas ruas: “As pessoas escutam-nos, convergem conosco na apreciação da situação política, econômica, social”.

O líder comunista também identifica “barreiras” no “preconceito anticomunista” e na ideia de que o PCP “não consegue ser poder”. De acordo com Jerónimo, o partido “só vê um caminho: continuar a identificar-se profundamente com os interesses dos trabalhadores, do povo e do país”. Aos 90 anos, o PCP “continua a ser um grande coletivo partidário. Está crescendo e rejuvenescendo-se”, garantiu.

O reforço do PCP é, no entanto, “uma tarefa inacabada”, o que motivou a campanha “Avante! Por um PCP mais forte”, saída do último congresso comunista, em dezembro de 2008. No ano do 90º aniversário, os comunistas querem obter mil novas filiações oriundas das empresas e locais de trabalho.

História
Em 90 anos de história, o “momento mais exaltante” do PCP, para Jerónimo, é a “vitória do 25 de Abril de 1974”, seguida de “um processo riquíssimo e de grandes transformações” e de “uma reestruturação capitalista. Há mais de 30 anos, tentam destruir aquilo que em pouco mais de um ano a Revolução de Abril conseguiu”, disse, exemplificando com “o que resta de nacionalizações, direitos dos trabalhadores, Serviço Nacional de Saúde, escola pública, proteção social”.

De 1921 aos dias de hoje, Jerónimo de Sousa identifica um fio condutor: a existência da luta de classes. “'O capitalismo nunca se conforma com o que tem, está na sua natureza ter mais lucro e viver da exploração de quem trabalha”, considera, afirmando que “hoje há uma ofensiva ideológica tremenda, sempre com o mesmo objetivo”.

Da Redação, com agências

FONTE SITE VERMELHO

sábado, 5 de março de 2011

Morre Alberto Granado, companheiro de Che em sua viagem de motocicleta!!!

05/03/2011 - 16:56 | Efe | Havana

Alberto Granado, amigo e companheiro de Ernesto Che Guevara em sua viagem de motocicleta pela América do Sul, morreu neste sábado (05/03) em Havana, aos 88 anos, confirmaram fontes familiares.

Granado, nascido em 8 de agosto de 1922 em Córdoba (Argentina) e estabelecido em Cuba desde 1961, morreu de causas naturais, explicou seu filho, também chamado Alberto.

Wikimedia Commons
Granado e Che, em junho de 1952, na jangada 'Mambo-Tango', com a qual percorreram parte do Amazonas colombiano.
A televisão estatal cubana definiu neste sábado Granado como um "fiel amigo de Cuba" e detalhou que, segundo sua vontade, será cremado neste sábado em Havana e suas cinzas serão espalhadas por Cuba, Argentina e Venezuela.

Amigo de infância de Che Guevara, foi seu acompanhante na viagem que realizaram de motocicleta em 1952 pela América do Sul, um percurso que despertou a consciência política do guerrilheiro argentino.

Sobre "La Poderosa", o moto de Granado, os dois percorreram juntos boa parte do Cone Sul até que, nove meses depois, se separaram na Venezuela.

A viagem foi levada ao cinema em 2004 pelo filme "Diários de Motocicleta", dirigido pelo diretor brasileiro Walter Salles e protagonizado pelo mexicano Gael García Bernal, no papel de Che, e pelo argentino Rodrigo de la Serna, como Alberto Granado.

Após essa viagem, Granado retornou à Argentina para trabalhar como bioquímico, mas, após o triunfo da revolução cubana, Che o convidou para ir a Havana e, um ano depois, decidiu ficar na ilha com sua esposa e seus filhos.

Wikimedia Commons
Foto recente do argentino Alberto Granado, 88 anos, que morreu neste sábado, em Havana Em 2008, Alberto Granado viajou à Argentina para participar das comemorações do 80º aniversário de nascimento de Che Guevara na cidade de Rosário.

Sua última viagem ao exterior foi ao Equador há alguns meses, disse seu filho, que destacou que Granado foi um "grande revolucionário" e um homem que amava muito a vida.
FONTE UOL

Trabalhadores se mobilizam contra ofensiva antissindical nos EUA!!!

5 de Março de 2011 - 17h16

O estado norte-americano de Illinois, berço político do presidente Barack Obama, virou uma espécie de refúgio democrata em um Meio-Oeste dominado por governos republicanos desde as eleições de novembro do ano passado. Parlamentares de estados vizinhos se escondem aqui para evitar a aprovação de leis contra os sindicatos do setor público, enquanto ativistas locais partem para engrossar as fileiras dos manifestantes em Madison, capital do Wisconsin.

Por Kênia Zanatta, no Opera Mundi

É lá que está o epicentro da batalha pelos direitos trabalhistas que vem agitando os Estados Unidos nas últimas semanas. Recém-chegado ao poder, o governador republicano Scott Walker apresentou um projeto de lei que busca limitar drasticamente o poder de negociação coletiva dos sindicatos que representam os funcionários estaduais, além de prever maior participação dos trabalhadores nas despesas com plano de saúde e aposentadoria.

A proposta foi aprovada pelos deputados estaduais, mas agora está empacada no Senado local. Em minoria, a estratégia adotada pela bancada democrata foi escapar para Illinois no dia 17 de fevereiro. Com isso viraram heróis de um movimento de protesto que chegou a reunir 100 mil manifestantes em Madison.

Os 14 de Wisconsin, como ficaram conhecidos, logo ganharam companhia, quando uma caravana de 37 deputados democratas de Indiana também veio buscar asilo em Illinois para evitar a aprovação de uma lei similar em seu estado.

Na última semana, a pressão aumentou para que os democratas foragidos voltem para casa. Os deputados republicanos de Indiana aprovaram uma multa de US$250 por dia a partir de segunda-feira. Já os democratas de Wisconsin correm o risco de serem presos e levados à força para o Senado assim que ultrapassarem a fronteira do estado.

Por sua vez, sindicatos de Illinois se mobilizaram para barrar a ofensiva conservadora: “Estamos fazendo tudo o que podemos para manter esse tipo de reforma ultrajante fora do nosso estado. Não é apenas um ataque aos acordos de negociação coletiva e de aposentadorias, é um esforço do Partido Republicano para tentar destruir os sindicatos”, afirma Michael Carrigan, presidente da seção estadual da American Federation of Labor and Congress of Industrial Organizations, maior federação de sindicatos dos Estados Unidos, que representa quase um milhão de trabalhadores em Illinois.

“Foi incrível ver as pessoas desfilando sem parar durante horas e horas com temperaturas negativas. O entusiasmo e o sentimento coletivo de um objetivo comum eram diferentes de tudo o que eu já vivi”, conta o professor de história Jackson Potter, 32, coordenador da equipe do Chicago Teachers Union, sindicato que representa mais de 30 mil professores da terceira maior cidade do país. A entidade levou um ônibus cheio de professores para apoiar os colegas do estado vizinho no último sábado (26).

“Há um projeto de lei em Illinois que tiraria grande parte do poder de negociação dos professores. Essa proposta ainda não foi apresentada, mas sabemos que é apenas uma questão de tempo. Então estamos muito preocupados e acho que é muito importante que membros dos sindicatos se reúnam e lutem uns pelos outros, como estão fazendo em Wisconsin”, afirma Potter.

O temido efeito dominó na verdade já começou. Além de Wisconsin e Indiana, um projeto de lei para restringir o poder de negociação coletiva dos sindicatos acaba de ser aprovado pelo Senado de Ohio.

“Existem atualmente 22 estados com propostas para reduzir, dificultar ou eliminar completamente o direito de negociar coletivamente para algumas categorias de funcionários públicos, geralmente os professores. Se isso pode acontecer no Wisconsin, com sua alta taxa de sindicalização e seu posicionamento político [Madison é considerada uma das cidades mais progressistas do país], acho que poderia ser usado como modelo em outros lugares”, afirma Robert Bruno, especialista em relações trabalhistas da Universidade de Illinois.

Concessões


Em Chicago, cerca de mil pessoas enfrentaram a neve que caía sem parar para mostrar sua solidariedade com os trabalhadores do Wisconsin em uma manifestação no centro da cidade no último sábado.

“Estamos todos aqui para mostrar nosso apoio aos trabalhadores, à classe média, aos pobres, a todo mundo que foi espezinhado durante tanto tempo. Se os trabalhadores perderem sua voz, nós perderemos nossa democracia”, disse Ary Carter, 31, artista plástica e cantora.

Para a professora Donna Wojcek, 44, “isso poderia acontecer em Illinois ou em qualquer outro estado do país. O governador Walker está tentando acabar com os sindicatos e calar a voz dos trabalhadores. Não é apenas uma questão de orçamento”.

Scott Walker defende que seu plano é necessário para cobrir um déficit de US$ 137 milhões e diz que se ele não for aprovado terá que realizar demissões em massa. Líderes sindicais do Wisconsin garantem que já aceitaram fazer concessões que permitiriam ao governo fechar o buraco no orçamento. Para eles, a insistência de Walker em enfraquecer os sindicatos no Estado é uma manobra política.

O movimento trabalhista nos Estados Unidos é composto em grande parte por empregados do setor público: mais de um terço deles pertencem a sindicatos, contra somente 6,9 % dos trabalhadores do setor privado. E os sindicatos são a maior fonte de recursos do Partido Democrata.

“Os sindicatos de funcionários públicos com certeza contribuíram muito para aumentar as despesas dos estados através de acordos coletivos que garantiram planos de saúde e aposentadorias”, afirma Kenneth Janda, professor de ciência política da Northwestern University, na região de Chicago.

“O governador do estado do Wisconsin diz que os sindicatos públicos são privilegiados porque negociam com o governo. Mas as empresas privadas também tiveram dificuldades por causa de benefícios concedidos aos sindicatos no passado. Então o argumento que Walker está usando para defender sua posição é falso. O que ele realmente quer é destruir o poder dos sindicatos e assim aumentar as possibilidades de os republicanos serem eleitos para cargos públicos”, argumenta Janda.

Algumas categorias de servidores públicos que tendem a votar no Partido Republicano, como bombeiros e policiais, foram excluídos do projeto apresentado pelo governador do Wisconsin.

Os defensores mais ardorosos da proposta de Walker admitem claramente que o objetivo principal é neutralizar os sindicatos. Para o professor de direito da Universidade de Chicago Richard Epstein, “o ponto fundamental é que se você não limitar o direito de negociação coletiva, assim que a crise passar os funcionários públicos vão negociar para voltar à posição em que estavam antes”, afirma.

“Todo mundo concorda que é uma manobra política do Partido Republicano, mas a diferença é que é uma manobra justificada. Os sindicatos são poderosos demais contra o governo, e acho que são poderosos demais também no mercado privado”, explica. Epstein é membro do Hoover Institution, um think tank conservador, e próximo do Libertarian Party, cujo slogan é “um máximo de liberdade, um mínimo .

FONTE SITE VERMELHO!!!!

Renda per capita do Brasil é de US$ 10.814 e supera a do México!!!

5 de Março de 2011 - 10h00

A renda per capita do Brasil ultrapassou a do México no ano passado, indicam dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados recentemente pelos dois países. O PIB per capita brasileiro subiu para US$ 10.814, ante US$ 9.812 do mexicano. Em dólares, o PIB per capita do Brasil está entre os quatro mais altos da América Latina, ao lado de Chile, México e Uruguai, segundo o Banco Mundial.

Na quinta-feira (4), o IBGE informou que o PIB brasileiro cresceu 7,5% em 2010, atingindo R$ 3,675 trilhões, ou US$ 2,089 trilhões pelo câmbio médio no ano. O PIB per capita subiu para R$ 19.016, ou aproximadamente US$ 10.814.

Já o PIB do México cresceu 5,5% no ano passado, indo a 13,88 trilhões de pesos, informou na semana passada o Instituto Nacional de Estatísticas. Em dólares, o PIB mexicano subiu para US$ 1,099 trilhão, pela taxa média do câmbio em 2010, ou cerca de US$ 9.812 per capita, no cálculo com dados sobre a população do censo de 2010.

O Brasil, um país consideravelmente maior do que o México, quase sempre teve uma economia maior, com exceção de alguns anos no início dos anos 2000, quando a economia mexicana passou por um breve boom por causa do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês). Ao mesmo tempo, o real era desvalorizado por uma crise financeira no Brasil no final da era FHC.

A proximidade com os Estados Unidos ajudou a manter o México na liderança da renda, de acordo com números do PIB per capita do Banco Mundial. Isto ocorreu em dias melhores para a maior economia do mundo. Mas a decadência e a crise deflagrada pela recessão em dezembro de 2007 mudaram o quadro. O México sofreu muito mais com a crise em função da proximidade e dependência em relação ao mercado estadunidense, que absorve 80% das exportações do país. O Nafta piorou as coisas.

Impactos da crise


O Banco Mundial calcula que os dois países basicamente tinham o mesmo nível de renda per capita em 2009, quando a economia do México sofreu uma contração de 6,1% em meio à queda da demanda dos EUA. Na mesma época, o PIB do Brasil encolheu apenas 0,6%.

O câmbio também teve um impacto nos números dos dois países: o real brasileiro se fortaleceu no ano passado mais do que nos anos anteriores, enquanto o peso do México continuou enfraquecido.

Economistas afirmam que a mudança reflete tendências que prevalecem há vários anos, com o Brasil emergindo como um poder econômico global, enquanto o México se afoga na dependência em relação aos EUA e sofre com a violência relacionada ao narcotráfico.

"Outro fator que beneficia o Brasil é que a possibilidade de crescimento é mais alta do que no México", disse Alfredo Coutinõ, diretor para América Latina da Moody's Analytics. "Diria que, nos próximos anos, a economia brasileira pode facilmente crescer a uma taxa média de 5% sem criar qualquer problema, enquanto, no México, 3,5% seria o crescimento máximo."

O Brasil é considerado a oitava maior economia do mundo, disse Coutinõ. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o país já subiu para a sétima posição. Muitos esperam que ocupe em poucos anos o quinto lugar, superando Reino Unido e França, em função do desenvolvimento desigual, com os emergentes avançando em ritmo bem mais veloz que os países desenvolvidos, que há anos amargam uma nítida tendência à estagnação.

Da Redação, com agências

FONTE SITE VERMELHO

Editora Boitempo rebate ofensiva do Globo contra Emir Sader!!!

5 de Março de 2011 - 13h45

Em “Carta de esclarecimento ao jornal O Globo”, a Boitempo Editorial acusou o diário da família Marinho de ter “descontextualizado informações referentes às publicações da editora na reportagem ‘Projeto pensado por Emir Sader agora na Uerj’”.

Segundo a nota, as manipulações fazem parte de mais um capítulo da “ofensiva” do jornal para difamar o sociólogo Emir Sader, que publica a maioria de seus livros pela Boitempo.

Confira abaixo a íntegra da nota.
Carta de esclarecimento ao jornal O Globo
A Boitempo Editorial lamenta que como parte da ofensiva contra o sociólogo e autor desta casa, Emir Sader, o jornal O Globo tenha descontextualizado informações referentes às publicações da editora na reportagem “Projeto pensado por Emir Sader agora na Uerj”, publicada na edição desta sexta-feira, 4 de março de 2011.

A editora esclarece que a venda dentro dos programas governamentais e o financiamento de livros por meio de leis de incentivo à cultura são práticas regulamentadas, que contemplam inúmeras casas publicadoras brasileiras e são de interesse tanto de quem trabalha com livros quanto de quem é beneficiado por essas medidas, como bibliotecas e escolas públicas. Infelizmente, o jornal não forneceu outras referências do mercado editorial, que mostrariam ao leitor a real dimensão da captação de recursos e vendas governamentais da Boitempo.

Uma comparação emblemática é a venda, em 2010, de 27.200 exemplares da Editora Globo à Fundação Biblioteca Nacional, vinculada ao Ministério da Cultura, em um total de R$ 640 mil; enquanto no mesmo ano a Boitempo vendeu à instituição 800 exemplares ao custo de 1/13 do valor pago à Globo (R$ 49 mil). Estabelecendo a comparação em vendas ao Ministério da Educação, só do PNBE 2009 a editora Globo ganhou mais de R$ 1,3 milhão; enquanto a venda da Boitempo foi de R$ 196.380,94. Os números mostram claramente que se há privilegiados nossa editora não está entre eles.

Sobre a autorização dada pelo Minc em 2007 (a segunda em toda a existência da Boitempo) à captação de recursos para a produção de uma obra, o valor informado pelo jornal (R$ 1,058 milhão) está errado. A quantia aprovada pelo Minc por meio da Lei Rouanet foi de R$ 681.416,00, ainda não captados.

Há 16 anos no mercado editorial, a Boitempo se firmou produzindo obras de qualidade, com um catálogo consistente e opções editoriais claras. Entre as muitas obras reconhecidas internacionalmente e premiadas em nosso país está a Latinoamericana: enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe, uma publicação de dimensões únicas, com quase 1.400 páginas, escritas por autores de cerca de 20 países. Trata-se de um esforço editorial de mais de três anos de coordenação, conteúdo e qualidade, na criação de um material inédito e de referência sobre a nossa região, reconhecido nacionalmente ao receber da Câmara Brasileira do Livro, em 2007, o Jabuti de Livro do Ano de Não-Ficção, prêmio mais tradicional e importante do setor editorial brasileiro.

Boitempo Editorial
 
FONTE SITE VERMELHO!!!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Bambas comunistas: militância vermelha em outros carnavais!!!

4 de Março de 2011 - 9h45

Durante o período de legalidade do Partido Comunista do Brasil, entre 1945 e 1947, os comunistas tiveram intensa participação nas escolas de samba – para dançar e também para se aproximar do povo.

Por Valéria Guimarães*

Cassado desde 1928, o Partido Comunista do Brasil (PCB) voltou à legalidade em 1945. A alegria durou pouco – dois anos depois, cairia novamente na clandestinidade –, mas foi o bastante para o PCB montar uma grande estrutura e viver seu período áureo. Tornou-se um grande reduto de intelectuais, explorou ao máximo o carisma de Luiz Carlos Prestes, teve jornais e editoras. Para se aproximar ainda mais das "camadas populares", adotou uma parceria estratégica com o samba. Sacudindo a poeira de anos de clandestinidade, o PCB ficou íntimo dos sambistas e das agremiações carnavalescas. Prova disso é que esteve bem perto de organizar o carnaval carioca de 1947.

Em viagem pela União Soviética no final de 1957, Mário Lago visitou a Rádio de Moscou. Diante do que viu, não pensou duas vezes: "Olha, eu só tenho esperança de que, se algum dia o Partido Comunista tomar o poder no Brasil, não faça o rádio que os camaradas estão fazendo. Vai ser uma chatice e ninguém vai ligar o rádio!" O relato está no livro Mário Lago: Boemia e política, da historiadora Mônica Veloso, publicado pela Fundação Getúlio Vargas em 1997. Militante e boêmio, Lago era um crítico contumaz do trabalho de propaganda política do partido e da postura ortodoxa dos "camaradas" que renunciavam à vida social em nome da causa comunista. Para ele, não fazia sentido ser militante 24 horas por dia. "Você não pode abrir mão de sua individualidade. Você é um militante naquele momento. Está cumprindo uma tarefa, fazendo uma reunião, está estudando uma coisa. Agora, você continua sendo o homem comum que trabalha numa loja, trabalha numa fábrica, e quando sai do trabalho vai ver o seu futebol, vai se divertir." Para o compositor, ator e escritor, vida social e militância política nunca foram incompatíveis. Conversas de botequim poderiam ser uma eficiente propaganda partidária. Falar a linguagem do povo e "ser igual a qualquer um" era a senha para conquistar as massas populares para o partido.

Difícil, para muitos intelectuais do PCB, era conseguir adaptar discurso e prática às circunstâncias. Em correspondência a seu filho Júnior Ramos, encontrada no Arquivo Graciliano Ramos, do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, o romancista alagoano escrevia sobre as dificuldades de lidar com as camadas populares em um comício realizado no Rio de Janeiro, em 1945: "Talvez metade do auditório fosse formado pelas escolas de samba. (...) Deus me deu uma figura lastimosa, desagradável, cheia de espinhos. Resolvi não fazer ao público nenhuma concessão: escrevi na minha prosa ordinária, que, se não é natural, pois a linguagem escrita não pode ser natural, me parece compreensível. (...) Decidi, pois, falar num discurso como falo nos livros. Iriam entender-me?".

Os intelectuais no PCB
Cassado desde 1928, o PCB volta à cena política em 1945, permanecendo na legalidade até 1947. Tempo suficiente para montar uma grande estrutura e conhecer o período áureo de sua história. De cerca de dois mil militantes no final dos anos 1920, o PCB passa a contar com 200 mil filiados. Mesmo com pouco tempo para a campanha, o desconhecido Yedo Fiúza, lançado pelo partido para concorrer à presidência da República em 1945, obtém a marca expressiva de 10% dos votos. O partido elegeu 14 deputados federais e fez de Luiz Carlos Prestes seu representante no Senado. A crescente popularidade do PCB rendeu-lhe grandes resultados nas eleições para prefeitos e vereadores de 1947, formando a maior bancada do Distrito Federal.

Diversos fatores motivaram a entrada em massa de intelectuais e do operariado no partido. Entre eles, a campanha vitoriosa da União Soviética no combate às forças do Eixo; a volta do PCB à legalidade num cenário de relativa distensão política, caracterizada pela democratização de 1945; e o prestígio de Luiz Carlos Prestes, no partido desde a década de 1930. Jorge Amado, Graciliano Ramos, Monteiro Lobato, Edison Carneiro, Cândido Portinari, Dorival Caymmi, Procópio Ferreira, Nélson Pereira dos Santos, Oscar Niemeyer, o maestro Francisco Mignone, o jornalista Pedro Mota Lima, o cronista Álvaro Moreyra, o pianista Arnaldo Estrela e o cientista Mário Schemberg faziam parte do respeitável grupo de intelectuais filiados ao PCB.

Os intelectuais e os artistas do PCB colocavam em prática a política cultural do partido, baseada no realismo socialista, modelo estético stalinista que chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 1940. A produção de uma arte "genuinamente" proletária era um dos principais instrumentos de educação política das massas. Cabia aos intelectuais do partido alfabetizar os "camaradas" iletrados e ministrar "aulas de conhecimentos gerais", além de esclarecer pontos fundamentais da teoria marxista-leninista. Teatro, cinema, cartazes, exposições, conferências, poemas: todos os recursos materiais e humanos disponíveis eram utilizados a serviço da causa comunista.

Dispondo de uma estrutura bastante razoável, a imprensa comunista nos anos 1945-1947 cresceu vertiginosamente. O partido contava com diversos jornais e revistas, além de duas editoras, o que deu um grande impulso ao trabalho de divulgação do comunismo no Brasil. Voltado para as massas, o diário comunista Tribuna Popular, de circulação nacional, chegou a tiragens de 50 mil exemplares. Veiculava notícias das agências comunistas internacionais, publicava matérias sobre o movimento operário e a luta camponesa, mas também dava substancial espaço para o entretenimento, visto como um importante instrumento de educação política das massas. Falava-se de cinema, teatro, esportes (com destaque para o futebol), música, notas sociais, fofocas sobre políticos e personalidades em evidência. Os anunciantes, em muitos casos, buscavam uma associação entre os produtos e a linha política do partido, como no caso do "Sabão Russo – contra erupções, espinhas e panos" ou dos perfumes Cavaleiro da Esperança. Na compra dos perfumes por atacado, o consumidor era contemplado com folhinhas com retrato de toda a bancada comunista na Constituinte de 1946.

A foice e o pandeiro
O samba, reconhecido nos anos 1940 como uma das maiores formas de expressão artística popular, fruto de um complexo processo que Hermano Vianna chamou de "mistério do samba", também foi privilegiado pelos comunistas. É amplo o espaço dedicado ao mundo do samba na Tribuna Popular. As colunas "O Povo se Diverte" e "O Samba na Cidade" eram publicadas com regularidade. Notas sobre a agenda e os preparativos dos bailes carnavalescos, cartas de leitores sobre o carnaval, homenagens feitas pelas agremiações carnavalescas à Tribuna Popular, divulgação dos assuntos de interesse da União Geral das Escolas de Samba (Uges) faziam do jornal comunista um espaço de participação e representação do mundo do samba. Um forte vínculo ideológico estabelecia-se entre a Uges e o Partido Comunista.

As escolas de samba eram vistas pelo PCB como organismos de concentração das camadas populares e tiveram um importante papel na estratégia de comunicação com o operariado, fiel frequentador dos grêmios recreativos, uma de suas raras opções de lazer. Por caminhos diversos, como visitas às quadras das escolas, realização de festas eleitorais, nas quais as escolas de samba eram as principais atrações, promoção de torneios de futebol com exibição das escolas de samba e visitas de sambistas à sede da redação da Tribuna, o Partido Comunista se aproximava das camadas populares. Na verdade, havia uma negociação recíproca: a aproximação com os comunistas no período da legalidade também aumentava a credibilidade do mundo do samba junto à sociedade.

Em novembro de 1946, no campo de São Cristóvão, o PCB organizou um desfile em homenagem a Luiz Carlos Prestes, do qual participaram 22 escolas. A maioria dos enredos exaltava o Cavaleiro da Esperança. Diversos intelectuais comunistas faziam parte do corpo de jurados. Paulo da Portela, eleito Cidadão Samba em 1937, um sambista respeitado por sua luta pela aceitação social do samba do subúrbio, também fazia parte do júri. Sagrou-se campeã a escola de samba Prazer da Serrinha. O samba "Cavaleiro da Esperança", da escola Lira do Amor, de Lourival Ramos e Orlando Gagliastro, recebeu um prêmio especial, não previsto no concurso: "Prestes!/ O Cavaleiro da Esperança/ Um homem que pelo pequeno relutou/ Seu nome foi bem disputado dentro das urnas/ Oh! Carlos Prestes/ Foi bem merecida a cadeira de senador/ Passou dez anos encarcerado/ Comeu o pão que o diabo amassou/ Oh! Prestes."

Carnaval e eleições de 47
Percebendo o sucesso junto ao mundo do samba, os comunistas buscam estreitar ainda mais a aproximação com as agremiações carnavalescas. Era comum, quase uma regra, que um jornal organizasse os festejos carnavalescos. Em 1947, foi a vez de a Tribuna Popular pleitear o direito de organizar o carnaval.

O primeiro bimestre daquele ano seria bastante agitado para os comunistas: eleições para a Câmara dos Vereadores, em janeiro, e promoção do carnaval. A campanha eleitoral, bastante lúdica, como reivindicava Mário Lago, utilizava em abundância versões de conhecidas marchinhas populares. "Mamãe, não quero", do comunista Jararaca (da famosa dupla caipira Jararaca e Ratinho), que seria eleito vereador, era uma das mais famosas:
"Mamãe, não quero/ Mamãe, não quero/ Mamãe, não quero mais mamar/ Eu já estou grande/ Quero saber em quem é que eu vou votar/ Vota meu filho/ Que és moço e és viril/ Vota pra grandeza e pro progresso do Brasil/ Vota com cuidado/ com cuidado vota/ Dá o teu voto/ A um sincero patriota!/ Não vota, meu filho/ Não crê na marmelada/ Dos que prometem tudo/ E no fim não fazem nada/ Vota com cuidado/ Olhe bem a lista/ Escolha os candidatos do Partido Comunista."

A tradicional eleição para Embaixador e Embaixatriz do Samba, no ano de 1947, foi organizada pela Tribuna Popular. Um ensaio para um outro pleito do qual o mundo do samba, dentro de poucos dias, não poderia se furtar: as eleições de 19 de janeiro, votando nos candidatos do Partido Comunista. A 15 de janeiro, lia-se na Tribuna: "Doraci de Assis conquista o primeiro lugar. A candidata do Prazer da Serrinha é seguida de perto por Tereza Lima e Luciana Batista. João Amazonas, Pedro Mota Lima e Vespasiano Luz, candidatos da Chapa Popular que os sambistas levarão ao Senado e ao Conselho Municipal, assistiram à apuração".

Retorno autoritário
Os planos de organizar os preparativos para o carnaval de 1947, conhecido como Carnaval da Vitória, em alusão à vitória sobre o nazi-fascismo, foram frustrados. Embora se diga que os anos 1945-1964 foram marcados pela democratização no país, permanecia ainda um forte traço autoritário, expresso na repressão da "polícia especial" às manifestações dos trabalhadores; na manutenção da censura; na cassação do PCB, em 1947; e na suspensão dos mandatos dos comunistas, em janeiro do ano seguinte.

O PCB, mais uma vez, cairia na clandestinidade. Para diminuir a influência do partido junto às escolas de samba, foi criada uma nova entidade representativa, a Federação Brasileira das Escolas de Samba, que passou a receber a subvenção oficial e a atrair diversas escolas filiadas à União Geral das Escolas de Samba, que foi sendo esvaziada.

Acusadas de "subversão", várias escolas de samba foram investigadas pela polícia política. Constam nos arquivos do Dops documentos relativos à "infiltração" de "elementos comunistas" nas escolas de samba, em pleno período de democratização. "Recomendava-se" a substituição desses componentes, sob pena de cassação das licenças de funcionamento. Durante a ditadura militar, a produção de documentos referentes à "subversão" nas escolas de samba aumenta consideravelmente. A documentação estende-se até o ano de 1983, quando a Unidos de Vila Isabel comemorava o aniversário de 85 anos de Luiz Carlos Prestes.

Longe de ser encarado como uma forma de alienação popular, o samba, para os comunistas, foi fundamental para o contato com o operariado. O estreitamento dos laços entre o PCB e as escolas de samba, na segunda metade dos anos 1940, consolidou uma parceria bastante sólida. Mesmo durante o novo período de ilegalidade, que se inicia em 1948, a parceria PCB/mundo do samba não se dissolveu. Ao contrário, ganhou novo fôlego com o interesse de setores da classe média, especialmente estudantes universitários e classe artística, que buscavam abrir caminho para a participação das camadas populares nas lutas sociais.

Em 1998, Luiz Carlos Prestes foi louvado na avenida pela Acadêmicos do Grande Rio. Dessa vez, não num desfile promovido pelo partido, mas com todo o aparato que cerca o carnaval carioca da atualidade, no desfile oficial. Sinal dos tempos.


* Valéria Lima Guimarães é historiadora e mestre em história social pela UFRJ.

Artigo originalmente publicado na revista Veredas do Centro Cultural Banco do Brasil.

FONTE VERMELHO!!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sinpro Minas cria disque-denúncia.

Publicado em 08/02/2011

Em busca de soluções para o problema da violência nas escolas, o Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas) lançou, no dia 1º de fevereiro, um disque-denúncia gratuito (0800 770 3035) para atender os professores que sofreram ou presenciaram algum tipo de violência dentro de escolas particulares.
A ferramenta vai funcionar das 9h às 13h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira.
O objetivo é reunir as denúncias para que, posteriormente, possam subsidiar ações pela paz nas instituições de ensino. O sindicato ressalta que a identidade e os dados dos professores serão mantidos em absoluto sigilo.
O sistema também está disponível no portal do Sinpro Minas. Para fazer a denúncia pela internet, basta preencher um formulário (clique aqui para acessá-lo). http://www.sinprominas.org.br/conteudos/default.aspx?IdCanal=136
As informações sobre casos de agressões a professores também podem ser encaminhadas ao endereço eletrônico paznasescolas@sinprominas.org.br (com nome, email, telefone, escola e relato da situação).
"É muito importante que o professor denuncie qualquer tipo de violência para que possamos romper com o silêncio e criarmos uma cultura de paz no interior das escolas", destaca Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.
Campanha pela paz
Diante do agravamento das situações de violência, o Sinpro Minas e outros sindicatos, associações e organizações da sociedade civil de Minas Gerais iniciaram um debate para a elaboração de uma campanha pela paz nas escolas.
A criação do disque-denúncia faz parte das ações que a diretoria do sindicato tem encaminhado em torno do assunto. Em dezembro, o Sinpro enviou ofícios ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ao Conselho Estadual de Educação e à Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (ALMG), solicitando a realização de reuniões para discutir o tema.
Em resposta à iniciativa do sindicato, o MPT decidiu realizar, em parceria com o Sinpro Minas, audiências em todo o estado. A primeira está prevista para ocorrer neste mês de fevereiro. O órgão também poderá enviar uma carta às escolas privadas com recomendações sobre formas de agir para combater a violência no ambiente escolar.
Já o Conselho Estadual de Educação e a Comissão de Educação da Assembleia não deram retorno, até o momento, sobre o pedido para agendar uma reunião e uma audiência pública, ambas em caráter de urgência.
“Esse silêncio nos preocupa, uma vez que se trata de dois órgãos importantes que deveriam estar bem envolvidos nessa discussão. Vamos continuar fazendo esforços nesse sentido, inclusive reenviando o ofício para solicitar a realização de uma reunião no Conselho e de uma audiência pública na Assembleia”, disse Gilson Reis, presidente do Sinpro Minas.
Dados
A pesquisa Rede particular de ensino: vida de professor e violência na escola, realizada pelo Sinpro Minas em parceria com a Puc Minas, em 2009, mostrou que mais da metade dos entrevistados (62%) disse ter presenciado a agressão verbal. O estudo aponta que 39% dos professores relataram ter visto situações de intimidação, e 35%, de ameaça. Além disso, 14% dos entrevistados já presenciaram furto, e 10%, roubo.
Os dados revelam ainda que 91% dos professores entrevistados consideram como violência o desrespeito à sua autonomia no exercício da docência, sendo que 52% vivenciaram situações dessa natureza.
Fonte: Sinpro MInas